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	<title>by sobral &#187; Primeira impressão</title>
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		<title>A capa especial de Cleo Pires na Playboy</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Aug 2010 20:09:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sobral</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Análise da composição da capa da Playboy de Cleo Pires.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Antes de mais nada, deixe-me confessar: sim, eu estava louco para a ver a <strong>Cleo Pires</strong> na <em>Playboy</em>. Sua beleza se destaca. Traços fortes, marcados como é incomum em rostos femininos, mas ainda assim muito sensuais.</p>
<p><a href="http://www.robsonsobral.com/wp-content/uploads/2010/08/PB423CAPAalternativa.jpg"><img title="A capa alternativa" src="http://www.robsonsobral.com/wp-content/uploads/2010/08/PB423CAPAalternativa_thumb.jpg" alt="A capa alternativa" width="182" height="240" /></a><a href="http://www.robsonsobral.com/wp-content/uploads/2010/08/PB423CAPA.jpg"><img title="A capa oficial" src="http://www.robsonsobral.com/wp-content/uploads/2010/08/PB423CAPA_thumb.jpg" alt="A capa oficial" width="182" height="240" /></a>Eis então que a Playboy resolve publicar dois ensaios principais na mesma edição. Ainda mais, fez dez por cento da tiragem com uma capa fora do seu padrão esperado. Uma foto de <a title="Site de Jacques Dequecker" href="http://www.jacquesdequeker.com/" target="_blank">Jacques Dequeker</a>, autor do primeiro ensaio, preta e branca, fosca, com tipos revestidos em vermelho.</p>
<p><img class="alignnone size-thumbnail wp-image-419" title="O revestimento sobre o texto" src="http://www.robsonsobral.com/wp-content/uploads/2010/08/DSC09562_for_web-96x96.jpg" alt="recorte da capa" width="96" height="96" />Linda! Linda, mesmo! Chamaram-na de “estilo oitentista”, “estilo mulherão”, mas chamo de objetiva! Só as formas do corpo de Cleo, definidas pela luz. Nada mais.</p>
<p>Corri atrás de uma! Qual minha surpresa quando descobri que nas bancas com ambas as capas, a branca não saía:</p>
<p>– Linda essa capa, não?</p>
<p>– É diferente – diz a balconista meio sem graça. – Sei que eu não vendi nenhuma.</p>
<p>– A revista não tem saído?</p>
<p>– Tem, sim! Vende de monte! Mas ninguém quer essa capa.</p>
<p>Não sei que desculpas absurdas dariam para isso, mas pelo menos não fui o único <a title="&quot;ok, aceito a capa especial da cleo pires. isso de mulherão anos 80 me conquistou. presente fora de época sempre bom&quot; por @pstolen" href="http://twitter.com/pstolen/status/19962135779" target="_blank">a gostar</a>. A <a title="Qual opção de capa você prefere?" href="http://ego.globo.com/Gente/Fotos/0,,FTE830-15707-1,00.html" target="_blank">enquete no site da Globo</a> mostra, enquanto escrevo, que 44% dos votantes concordam com a gente.</p>
<p>Qual o charme dessa capa? Além de ser inesperada, bem fora dos padrões da revista, há uma ótima composição.</p>
<p><a href="http://www.robsonsobral.com/wp-content/uploads/2010/08/PB423CAPAalternativa_tercos.jpg"><img style="display: inline;" title="PB423CAPAalternativa_tercos" src="http://www.robsonsobral.com/wp-content/uploads/2010/08/PB423CAPAalternativa_tercos_thumb.jpg" alt="PB423CAPAalternativa_tercos" width="364" height="480" /></a> Considerando a regra dos terços, a silhueta se acomoda no terço vertical central, enquanto suas formas mais destacadas do todo, o seio e o cabelo, vazam para os terços adjacentes. O primeiro terço horizontal abriga o pescoço e o rosto em que a língua de fora cria formas mais interessantes do que o cabelo. Sem falar na ironia da perna do “Y”.</p>
<p>Os dois grupos de texto se penduram sobre as divisões do primeiro e do segundo terços horizontais.</p>
<p>O peso da capa é equilibrado pelo logotipo no topo e o nome “Cleo Pires” sobre a divisão do segundo e terceiro terços. Ambos em vermelho. Só lamento a fonte escolhida. Seria melhor escrito a mão, para evitar a repetição de formas nas letras. Apesar de cursiva, qualquer fonte parece mecânica demais diante de formas tão orgânicas no fundo.</p>
<p><a href="http://www.robsonsobral.com/wp-content/uploads/2010/08/PB423CAPAalternativa_diagonais.jpg"><img style="display: inline;" title="PB423CAPAalternativa_diagonais" src="http://www.robsonsobral.com/wp-content/uploads/2010/08/PB423CAPAalternativa_diagonais_thumb.jpg" alt="PB423CAPAalternativa_diagonais" width="364" height="480" /></a> As diagonais e os quadrados implícitos da capa são ainda mais interessantes. O eixo da silhueta e a língua se apóiam sobre a vertical central da capa. A diagonal do quadrado inferior liga o seio e a nádega. Já a do quadrado superior, liga o seio e o topo da testa. Uma diagonal da capa completa divide a silhueta do cabelo e do torço. Acima do quadrado inferior, flutuam o rosto e a língua estendida.</p>
<p>Fico feliz pelo texto ter sido distribuído apenas no lado direito, de forma a valorizar a bela composição.</p>
<p>Belíssima capa. Espero que não encalhe nas bancas. Porque o resto da revista, pela fama da modelo e pela qualidade das fotos, não vai encalhar mesmo.</p>
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		<title>Duas revistas semanais, o Haiti e a mesma foto</title>
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		<pubDate>Wed, 20 Jan 2010 19:05:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sobral</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Na fila do caixa do supermercado olhei para o lado, me surpreendi e me incomodei. Na semana passada, o Haiti caiu para dentro de um terremoto absurdo. As imagens, os sons e tudo o mais do país viraram um monte de pó e escombros. Nesse semana, duas das maiores revistas semanais do Brasil escolheram a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Na fila do caixa do supermercado olhei para o lado, me surpreendi e me incomodei.</p>
<p>Na semana passada, o <strong>Haiti</strong> caiu para dentro de um terremoto absurdo. As imagens, os sons e tudo o mais do país viraram um monte de pó e escombros.</p>
<p>Nesse semana, duas das maiores revistas semanais do Brasil escolheram a mesma foto para suas capas. Uma excelente foto na minha opinião.</p>
<p><a href="http://www.robsonsobral.com/wp-content/uploads/2010/01/Capa_escolhida11.jpg"><img style="display: inline; border: 0px;" title="Capa_escolhida1" src="http://www.robsonsobral.com/wp-content/uploads/2010/01/Capa_escolhida1_thumb1.jpg" border="0" alt="Capa_escolhida1" width="217" height="286" /></a>Acho que vi primeiro a da <a href="http://www.revistaepoca.com/">Época</a>. A melhor mesmo dentre todas <a href="http://colunas.epoca.globo.com/fazcaber/2010/01/15/conheca-as-opcoes-de-capa-da-semana/">as opções</a> preparadas. Então percebi aquela tipologia quase <em>egípcia</em>. Sim, eu também acho “egípcia” um nome bisonho.</p>
<p>Voltando ao assunto. Afora considerar o escurecimento em volta da imagem desnecessário, foram aquelas letras o meu maior incômodo. Não deveriam estar lá. Evocavam muitas ideias, mas não morte, solenidade, tristeza, morbidez. A <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Slab_serif">tipologia egípcia</a> apareceu no século XIX para cabeçalhos de anúncios, pôsteres e cartazes, com algumas exceções mais notáveis como corpo de texto de alguma fase do <a href="http://www.guardian.co.uk/">The Guardian</a> e em máquinas de escrever. Eu chamaria de uma escolha infeliz para um assunto já por demais infeliz.</p>
<p><a href="http://www.robsonsobral.com/wp-content/uploads/2010/01/capa3801.jpg"><img style="display: inline; border: 0px;" title="capa380" src="http://www.robsonsobral.com/wp-content/uploads/2010/01/capa380_thumb1.jpg" border="0" alt="capa380" width="222" height="286" /></a>E da prateleira de baixo a <a href="http://www.veja.com.br/">Veja</a> se mostrou com a mesma foto. Dessa vez sem o escurecimento. A briga entre o logotipo e as ferragens e o cimento foi ignorada em prol do impacto cru da foto. Dane-se o prejuízo na leitura do logotipo: a imagem mereceu se estender pela capa inteira.</p>
<p>A tipologia, então… Que maravilha. No primeiro instante reconheci como <strong><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Baskerville">Baskerville</a></strong>. <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/John_Baskerville"><em>John Baskerville</em></a> deixou sua destreza em desenhar fontes comprovada em diversas lápides, dentre centenas de outras coisas, e foi a primeira coisa que me veio à mente: a lápide no túmulo do Haiti. Posso estar errado quanto ao nome da fonte, mas não estou no quão solene ela é. Melhor ainda, está numa disposta numa composição discreta, assimétrica, alinhada com as marcas de pó na mão morta. Num corpo apenas grande para ser lido à certa distância. Perfeita escolha!</p>
<p>Puxei a revista e… O que aquela simpática senhora faz acenando ali embaixo? Sim, claro que a morte de <em>Zilda Arns</em> é importante. Mas enquanto a Época deu-lhe um lugar de destaque e em casamento adequado com a capa, apesar das críticas que já fiz, a Veja não só interrompe a foto que ‘sangrava’ por todas as margens, como também estraga completamente a sensação promovida nos primeiros momentos. Não sei se por motivos de marketing, que, sim, importa até nesses momentos; ou por… Não sei! Sei apenas que essa concessão criou uma ironia bizarra.</p>
<p><a href="http://www.robsonsobral.com/wp-content/uploads/2010/01/capa3801.jpg"></a></p>
<p>Desconheço a rotina de trabalho das duas revistas. No máximo já cumprimentei o Marcos Marques, cujo sobrinho é meu amigo. Tampouco conheço bem suas identidades já que há séculos não as leio. Olhei apenas para os resultados obtidos por cada uma. E… Por mim, a Veja cedeu o empate nos quarenta e três do segundo tempo.</p>
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